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O verbo e o verso E nesse meio tempo as rosas secaram e os ceus mudaram. Loucos ceus de nuvens crescentes. Nao sao as cores, nem as formas. E uma questao de como o tempo modifica as coisas. Eu nao tenho como provar as minhas velhas teorias, por isso deixo-as de lado. Invisto em novidades e culpo o tempo ou o destino pois sou covarde demais para culpar deus, para me culpar. O olhar continua o mesmo. Vivido, espremido dentre palbebras vibrantes, molhado, como sempre. Somos os mesmos, mesmo modificados, mesmo esquecidos de nos. Lamento as rosas e admiro o ceu, por ser tao vulneravel ;as mais incriveis mudancas. Escrito por Laís Mussarra às 19h21 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Paulista!
Um pedaço de mim fica na calçada esburacada da Avenida Paulista. Naquela poça d'água, naquele resto de chuva já aquecido pelo sol. Ali se encontram reflexos meus, reflexos surpreendidos com a espontaneidade da vida que aqui explode desconcertada. Ali, naquela poça, repousam minhas reflexões.
No sol quente do meio dia, ando apressada por ela, Senhora Paulista. Não que eu tenha pressa, mas pelo simples fato dela, de alguma súbita forma, me apressar. É como se fosse perder o ônibus - que passa a cada minuto - ou mesmo perder o metrô. Mas não é isso.
Sobre minhas idéias e cabeça correm helicópteros, aviões, abutres, pombos e quem sabe até um sabiá. Uma grande chuva se aproxima, mas o movimento intenso não se desfaz. Logo os buracos serão poças e as pessoas correrão mais. Toldos, bares, botecos: abrigo. Um encontro, tudo é motivo, cerveja, risada, novos amigos, a Avenida Paulista é uma contradição explícita que já fez solo em mim - e eu fiz solo nela e a poça é quase como meu coração.
Chove, e como chove! Um ou outro aproveita e se banha, se lava, mendigo que é. Sabe-se lá quando irá chover novamente, de acordo com as previsões, só daqui um mês. As pessoas nos carros se irritam: o trânsito parou. Nem um minuto de chuva e como se brotasse da terra, centenas de vendedores de guarda-chuva abrem-se nas bocas de metrô. Quem olha de cima, lá do vigésimo quinto andar, vê flores pretas que andam pra lá e pra cá! Mas é preciso ter sensibilidade, é preciso deixar a Paulista de tocar.
E tocou. Por isso que naquela poça mora minha mais profunda reflexão. Ela encontra-se quase no Paraíso, num trecho entre a Brigadeiro e a Praça Oswaldo Cruz. É a poça mais profunda, é o que me restou do solo Paulista, é o que vou levar comigo no frio.
É certo que em dias secos ela já muito me maltratou. Fazia eu torcer o pé, quebrar o salto, esbarrar no mulato da banca de alça de sutiã. Mas é uma poça interessante, vejo nela recortes do céu. Sim, posso ver o céu dentre os prédios.
Através dos prédios de mil andares, escadarias, estacionamentos, dorme uma Avenida intensa e que é sede de mim. Se eu pudesse escolher a sede de meu reinado, seria num escritório gelado da Paulista sem fim.
E eu, lá de cima, no milésimo andar, ia ver surgir a vida que acorda bem antes das seis. Eu ia andar calma pela calçada, não me importar com nada, saindo do Paraíso e indo pra Consolação.
Poderia até ficar numa torre, numa antena, mas o me intriga é poça d'água que nomeei meu coração. Ela reflete o espírito da Avenida e não é nenhum cimento ou lajota que irá fechar, que irá calar. A poça fala e canta 'sampa', é poesia, samba e modinha de sexta-feira na frente do Trianon.
Do vão livre do MASP é onde vejo o nascer do Sol, assim, comprido e rápido. O ônibus passou.
Saudade, pocinha d'água. Saudade, senhora Paulista. Fique bem
Escrito por Laís Mussarra às 00h01 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Um ar de "bey bey Brasil" ... saudades, coração! saudades. nunca somos tão passionais quando sabemos que algo mudará drasticamente. é como uma morte premeditada. é como um filho na barriga. é como um bilhete sorteado em qualquer loteria. mudar. que bom!. adoro mudar. ah! mas adoro tantas coisas. adoro sentir que me superei. super - ei! - adoro sentir que eu fiz besteira e mesmo assim rir dela no dia seguinte, pois - como diz minha mana- se são besteirinhas-mini para que tanta preocupação? pra que se preocupar demasiadamente? assim não curto a etapa em curso, não vejo o que está bem adiante de mim! e reflito, fico remoendo, planejo e... o agora?!!!!!!! CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM CARPE DIEM!!!!!!!!!! Escrito por Laís Mussarra às 01h20 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Ele vinha sem muita conversa, sem muito explicar Ele assim como veio partiu não se sabe prá onde Quando enfim eu nasci, minha mãe embrulhou-me num manto Minha mãe não tardou alertar toda a vizinhança
CHICO BUARQUE 'ELE AINDA ME DISSE QUE UM DIA EU CHEGAVA LÁ' Escrito por Laís Mussarra às 13h12 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Não despreze as flores que tentei te dar Não vire o rosto, não mostre desgosto Não despreze só porque não são rosas perfeitas E o que há de perfeito? Fazer o que tinha de ser feito Não seria tão difícil assim E agora, com arrependimento Recolho a mão, olho pro alto Disfarço mas não nego o ato: Jogo no lixo mais próximo e esqueço com a maior naturalidade do mundo. Mas não espere mais flores ou rosas Nem eu esperarei uma mão.
Escrito por Laís Mussarra às 12h19 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Minhas considerações Fazem um nexo infalível É culpa das cervejas Das senhoras, do risos É culpa de qualquer coisa que renego e preciso Minha vida é fútil como um verso no tempo Ando perdendo a noção Preciso de juízo? Amigos? Alguém que diga como é lindo meu vestido? A convivência é brusca e amarga Faz a gente desconsiderar o que é preciso Mas eu ainda me apóio no momento mais bonito Mesmo que para isso seja preciso Uma colher de chá Uma afrouxada na calça Uma tarde de domingo.
Escrito por Laís Mussarra às 08h31 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Minha cabeça rodando
Sexta-feira é sempre um dia singular! Escrito por Laís Mussarra às 07h21 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] ZICA ZICA ZICA SAIIIIIII ZICA"" Quando algo é para dar errado, esse algo contamina pseudos-algos e fode tudo. É como um vírus, uma proliferação escrota de bacterias ou algo assim. É como se alguém plantasse nas veias, nódulos. E o sangue vai demorando a passar. E corre o risco de entopir. E se entopir? Corre o risco de morrer. E se morrer? Corre o risco de chover no velório, de dar infiltração na parede e criar goteira logo em cima do caixão. Porque é assim mesmo! Quem nasce pra se ferrar, se ferra inevitavelmente em tudo. Mesmo depois de morto. Bem, depois de perder meus óculos de sol, perdi minha agenda nova. Perdi a hora também e vivo perdendo sapatos (?!) não sei como. As coisas não fogem, não é possível. Eu que as espanto. Eu que não as mereço. Uma agenda, poesias, telefones, dados importantes. Seria ela minha companheira no avião! Pensei em me benzer, mas por que o faria? Não acredito nisso. Diria que eu preciso de um trabalho mental, um exercício anti-perda. Um ramo de qualquer coisa no pé da orelha, um banho de sal grosso, rosa espetada na areia. Nessas horas acredito em tudo, então. Escrito por Laís Mussarra às 09h26 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Ontem, antes de dormir, eu pensei num poema. E repeti cada verso 3 vezes a fim de não esquecer e poder escrevê-lo hoje. Adivinha? Esqueci tudo! Escrito por Laís Mussarra às 09h07 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Senhor Taxista, Por favor, seja gentil, devolva minha agenda. Eu peço com muita humildade, eu que paguei a corrida, que te dei o sustento do dia, eu que fui sua freguesa! Eu ... perdi minha agenda e sei que está com você. Sei que minhas poesias inéditas, dados e senhas do meu cartão estão em sua posse, estão na sua mão. Devolva? Não custa nada! Não jogue no chão, não polua a estrada. Ligue pra mim, marque um encontro, deixe com os colegas no ponto, eu vou buscar. Por favor me liga, seu taxista, lembre-se que eu te desejei bom feriado, paguei com dinheiro trocado... devolva? Escrito por Laís Mussarra às 08h49 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Um mês e três dias. Só desse tempo que preciso para que eu possa estar a caminho de um lugar desconhecido. Gelado, muito gelado talvez. Mas será divertido, assim como tudo é na ternura de sua primeira vez. Estou indo para Wisconsin Dells, Wisconsin, EUA. O estado faz divisa com Canadá, mas é na região sul e não terei a possibilidade de visitar o país, mesmo porque meu visto não permite. Ouvi dizer que dá pra ir até uma cidade que faz divisa - que é linda - e não tem problema passear por lá. Bufalo. Mas para atravessar o estado por isso, prefiro ir pra Chicago, que nada nada são duas horinhas e meia. As duas primeiras semanas (se nada errado ocorrer) irei morar com meu amigo americano. Isso na nossa casa, que conta com 3 quartos, sala, cozinha, 2 banheiros 3 TV's e nenhum aparelho de som. Muito americano. LOL. Ele vai me ajudar e eu a ele. Depois de duas semanas, os brasileiros começam a chegar e em três semanas a casa estará lotada. Luciana, Talita, Kelly de Brasília, Alan e André, dois primos do interior, eu Chaves e Carina de SP. Nos nomeamos família! Eu quero ser a filha mais nova, a caçula. Mas me parece que o André já roubou meu lugar! Mas tudo bem, eu posso ser a irmã do meio. Aquela que vê os irmão mais novos fumando e bebendo e tenta não ser moralista. Já vi isso antes. Prometo não encher a cara sempre. Prometo ganhar no truco, no xadrez, lavar o banheiro, varrer a casa (não gosto muito de louça), passar pano, por o lixo pra fora, não ser chorona ou muito mala. Vote em mim! Nossa casa é uma Family Unit dentro de um motel. Lá não tem motel como aqui, espelho no teto, botõezinhos, cadeira erótica e canal pornô. Isso é muito 'latino' para eles. Não. Não é isso, talvez eles nem saibam que aqui existe algo assim por aqui. Enfim, o motel deles não é como o motel daqui, é tipo uma pousada. Não sei por que cargas d'água lá é um recanto de polonês. Todos os 'landlords' que eu was talking, eram polishs. Tou só vendo quanta coisa vou aprender: inglês, como salvar vidas em uma piscina aquecida, espanhol (pois terá uma batelada de argentinho e chileno), como cozinhar comida enlatada, polonês e muitas outras coisas, com certeza. Cronograma: 16 de Outubro - VISTO 01 de Novembro - ÚLTIMO DIA DE TRAMPO 10 de Novembro - FESTA DE DESPEDIDA 13 de Novembro - EMBARQUE 14 de Novembro - CHEGADA E COMPRAS EM CHICAGO 15 de Novemvro - INÍCIO DO TREINAMENTO Estou feliz!
Escrito por Laís Mussarra às 07h45 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ]
Pra que carnaval, fantasia? Samba ou folia, pra quê? Meu coração é suave e não corresponde à sinfonia não entende o ritmo do surdo, atabaque ou bateria (ele prefere um sopro) Na semana de tantos desencontros ele prefere dormir Meu coração é doente e nada tropical Não tem o fervor da puberdade Nem a calma da terceira idade ele é inconstantemente emocional Ele gosta de sombra e sopro e se diverte no entopimento da via principal.
Lala Escrito por Laís Mussarra às 07h33 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Onde minhas coisas foram parar? Eu pergunto onde, em que mãos, armários, lixões, bueiros, onde? São Longuinho? Menino do Pastoreiro? Se num instante estava aqui, ai me distraí, acendi um cigarro, um incenso, chequei o correio, quando dei por mim, sumiu. Roubaram, tiraram do lugar, esconderam? A coisa criou vida, pediu alforria, saiu correndo? Não quer mais ser de minha posse? Se assustou com meus maus costumes, cuspes tosse? Mas pense, gostaria de estar você na prateleira? Sozinha, empoeirada, coisa, gostaria? Eu fui lá te peguei, namorei, paguei por você e você some assim... Não apareça mais! Não te quero. Você é agora um objeto perdido! Sem dono, utilidade e sem a mim como amigo! Tchau! Escrito por Laís Mussarra às 20h50 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Eles não sabem o que fazem! Eram eles na pele e no sangue um rebuliço imenso de hormônios vívidos e temperados pela pulsação forte e sensual de suas raízes latinas. Faziam o que nem sempre era o certo fazer. Faziam pela carne, faziam por fazer. Arrependeriam-se depois? Sentiriam-se 'sujos' e vulgares por tão novos corpos entregarem-se dessa maneira? Chorariam por seus costumes serem assim, tão diferentes? Teriam eles vergonha de dizê-lo aos amigos íntimos? Ao certo não sabem, mas de fato não pensam nisso agora. Só querem mais e a todo instante. Peles queimadas roçam uma na outra, peles jovens, nunca dantes tocadas dessa maneira. Por isso se deleitam um no outro, com a mesma euforia frenética de seus colegas aos jogos pueris. Por que com eles era tudo tão forte? Por que com eles o desejo não cessava, os corpos não cansavam e tudo era motivo? Não sabiam. Não era a televisão a culpada, muito menos a internet. Não se aquietavam em frente a esse tipo de coisa. Eram crianças, transitórias crianças. Corpos disformes, como se a cada dia mudasse significativamente algo. Se alguém perguntasse o que faziam, de certo mentiriam, defender-se-iam diante a uma pergunta extremamente nova. Qual era a razão, então?Não sabiam, teriam alguma razão? Irão se sentir estranhos quando, aos 23 anos, descobrirem que aquilo tudo não passava de brincadeira infantil. Irão rir, cada um em seu canto da vida, ao pensarem como eram inocentes e sobretudo, infantis.
Lala Escrito por Laís Mussarra às 06h43 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Ana Tainá além de dizer que estou ficando corcunda tem seus dias de inspiração nos assuntos. Ela me contou que uma de suas amigas havia confessado ter feito um programa. Eu iria perguntar quem, mas na hora não achei conveniente além de me soar como fofoca. Provavelmente ela mentiria dizendo que eu não conhecia a pessoa ou então diria 'não posso falar'. Poupei esforços e só imaginei quem fosse! Eu já havia pensando sobre esse assunto e por isso não fiquei tão chocada. Havia me colocado no lugar de prostitutas, das de luxo, meia-boca, de rua, free-lance. Imaginava os cafetões, a obrigatoriedade de transar com um velho barrigudo com cracas pelo corpo. Deve ser cruel. Haja psicológico! Mas o assunto estava indo para outro lado e deixei a Tainá falar. Acontece que muitas garotas já se comportam como putas e só o que falta é cobrar. Não têm sentimentos, têm apenas um desejo momentâneo, que depois da goza não significa nada. O caso da amiga secreta que já havia se prostituído era mais ou menos assim, se for quem eu estou pensando: Ela tinha um furor intra-uterino espetacular! Todos os 'amigos' já conheciam as profundezas de suas entranhas e ela não fazia caso nenhum de esconder sua real faceta. Ela gostava de transar e para isso não precisou casar, namorar, nada! Se estava afim, ficava com alguém e logo iam para algum lugar mais discreto. Isso acabou rendendo um certo desrespeito e os meninos a apelidaram de Chicotão. Eles a apontavam na rua, uns contavam para os outros mentiras e verdades sobre Chicotão. Mas ela não estava muito aí! Um dia, sem esperar, uma colega perguntou se ela sairia com um amigo. Ela perguntou quem era, como era, coisas assim. Era um gringo. Um alemão ou algo do tipo, meia idade, estava numa casa em Alphaville e queria uma companhia agradável. Podre de rico: pagaria três mil reais. E Chicotão foi. Os detalhes não sei. Comecei a dizer coisas sobre a moral, família, real necessidade, abalo psicológico e riscos. Tainá falava sobre a fraqueza masculina, dinheiro fácil, se o cara fosse bonito, não seria tão ruim assim. Você posaria pra playboy? Eu disse que sim! Ela argumentou que era essa a pior prostituição. Milhares de pessoa irão te ver, imagina seu pai vendo sua xana numa revista? Meu pai não iria ver. Ah iria! Ele ia querer prestigiar seu trabalho! E que vergonha, hein. Já o que aconteceu com a Chicotão, na visão da Tainá, tinha sido menos ruim que o fato de posar para uma playboy da vida. Ficou ali, entre quatro paredes. Já era! Comecei a pensar. Minha idéia difere da dela. Na revista não há toque. Não há envolvimento. É superficial. Bem, na verdade mesmo, a mulher é um bicho estranho! Sei lá! Escrito por Laís Mussarra às 13h47 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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